Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Bad Day.

Slim Jim Phantom.

Estou mal. Fisicamente mal. Acho que foi a suspeita fogazza que comi ontem a noite enquanto acompanhava a vitória do timão-e-o. Pra piorar, tá chovendo e a melhor-banda-emo-de-todos-os-tempos-da-última-semana vai se apresentar numa sala a dois andares abaixo dos meus pés. Uma das teorias que tenho é: dias bons são seguidos de dias ruins, e vice-versa.
Ontem, por exemplo, tive a oportunidade de assistir à Slim Jim Phantom, o lendário baterista do Stray Cats. Fantástico! No meio da gravação, um dos apresentadores do programa perguntou sobre seu projeto paralelo junto com o Lemmy, do Motorhead. Durante a resposta, Jim apontou pra mim e disse: "Olha lá, aquele cara está com uma camiseta do Motorhead. Lemmy está em todo o lugar." Sensacional.



Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Se todo post é diferente, este deve ser igual

Por que depois de tanto tempo resolvi postar no meu blog? Ainda não sei bem a resposta. De uns tempos pra cá aconteceram muitas coisas. Muitas coisas boas, que me mantiveram e ainda me mantém ocupado. Agora atualizo um outro blog, o do programa Coluna MTV, do qual participo como produtor. E ainda estou compondo novas musicas para meu próximo trabalho com os Limousine Drivers, provavelmente disponível ainda este ano.
Poderia fazer um post sobre as últimas coisas que ando escutando, ou coisas banais as quais considero interessantes. Provavelmente tente fazer os dois a partir de agora. Por hora, deixo este post só pra tirar a poeira dessa página.
Acredito que tudo aconteça por alguma razão. Por que este post seria diferente?

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Ron Asheton: 17/07/1948 – 06/01/09

Por Vinícius Lepore


Foi encontrado morto em sua casa, ontem, o guitarrista e membro fundador da banda The Stooges, Ron Asheton, 60. Aparentemente ele sofreu um ataque cardíaco.

Um dos membros originais da banda, Ron é responsável pelos sons de guitarra da maior parte dos clássicos dos Stooges, como "No Fun" e “I Wanna Be Your Dog’. A formação original ainda contava com seu irmão Scott; além do baterista Dave Alexander e Iggy Pop.

Ron é considerado por críticos e publico como um dos responsáveis pela criação do punk rock, tendo inventado riffs e bases do estilo ainda no início da década de 70.

Depois de gravar os álbuns The Stooges (1969) e Fun House (1970), Ron tocou baixo no disco Raw Power (1973), sendo substituido pelo guitarrista James Willianson. Após este disco, a banda se separou, voltando a lançar um disco de inéditas só em 2007 . The Weirdness trouxe uma nova formação a banda, com Ron novamente nas guitarras. A banda se apresentou no Brasil em 2005.


Ron morava em Detroit, Michigan. Mesmo local de seu nascimento e do nascimento dos Stooges.

Sábado, 22 de Novembro de 2008

As Brincadeiras de Rodrigo

Sucesso no Brasil com os Los Hermanos e a Orquestra Imperial, Rodrigo Amarante se lança em carreira internacional com o grupo Little Joy, banda formada com integrante do Strokes.



Da esquerda para a direita: Rodrigo Amarante, Binki Shapiro e Fabrício Moretti.


Texto: Vinícius Lepore
Foto: Autumn de Wilde



No último dia quatro saiu o primeiro disco do The Little Joy. O trio é formado pela vocalista americana Binki Shapiro, além de dois brasileiros. Fabrício Moretti é mundialmente conhecido como baterista da banda Strokes; Rodrigo Amarante, vocalista e guitarrista do grupo Los Hermanos.
As três faixas do grupo disponíveis em seu Myspace apresentam uma sonoridade um tanto praiana - influência dos ares californianos respirados durante a gravação do disco. Tudo aquilo que os levou a fama está lá: a bateria aparentemente simples de Fabrício; a guitarra indecisa entre o simples e o complexo de Amarante; ambas se encaixando harmoniosamente com a bela voz de Binki.
O Little Joy é uma daquelas bandas grandes desde o nascimento. Tem na sua formação dois dos músicos mais importantes da ultima década. Junto aos Strokes, Fabrício alcançou o sucesso de público e crítica necessários para manter uma das mais sólidas carreiras do rock atual. Brasileiro como a mãe, Fabrício é filho de um italiano e foi radicado nos Estados Unidos, onde formou a banda.
Amarante, por sua vez, faz parte de uma das maiores bandas de rock do Brasil. No ano de 1997 conheceu o musico Marcelo Camelo durante o curso de jornalismo na faculdade PUC-RJ. Criaram o Los Hermanos, banda na qual Rodrigo, inicialmente, tocava flauta, e pouco contribuía nas composições do grupo.
Depois do sucesso do hit ‘Anna Julia’, musica do primeiro disco do grupo, Amarante passou a aparecer como guitarrista e também como compositor. Já no segundo disco da banda, ‘Bloco do Eu Sozinho’, Amarante assina diversas composições (o primeiro disco continha apenas duas composições suas), como “Sentimental”.
Mais dois discos de sucesso com os Los Hermanos, participações especiais, trilhas sonoras e outros projetos bem sucedidos, como a Orquestra Imperial, ocuparam Amarante ao longo destes anos, consolidando um respeito entre público e crítica. Aparentemente não havia mais nada a ser conquistado. Surge então o Little Joy. Sucesso aparentemente já garantido, tanto pela qualidade musical, quanto pelo peso que esta ‘pequena brincadeira’ leva em sua formação.
Entretanto, Amarante poderá agora desfrutar de um sucesso diferente. O sucesso internacional. Algo ainda pouco conhecido por músicos brasileiros. Não se trata de lotar estádios ou fazer tours internacionais, como alguns artistas conseguem. Este sucesso refere-se ao ingresso a outras culturas. Amarante agora canta em inglês, algo inviável para um musico brasileiro preso a língua pátria das grandes gravadoras. Seu atual projeto conta com uma americana, um ítalo-brasileiro radicado nos Estados Unidos e um brasileiro – ele próprio. Sua foto agora está estampada nos ‘favoritos’ dos Strokes. Seu disco estará a venda nas lojas do mundo todo e disputando um lugar na lista de mais vendidos da Billboard. Seu vídeo-clipe será visto nas MTV’s ao redor do globo.
Rodrigo é um brasileiro; ex-estudante de jornalismo; ex-tocador de flauta. Resolveu deixar de ser espectador e acreditar no seu potencial de espetáculo. Quando recebeu a aprovação de seu país, desejou o mundo. Não parece ver limites para sua musica.

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

A Recaída de Christiane

No último dia 11 de agosto, o mundo ficou sabendo da recaída de Christiane Vera Felscherinow. Christiane F., como ficou mundialmnete conhecida, teve suas primeiras experiências com drogas logo aos treze anos de idade. Em apenas dois anos, passsou por todas as drogas possíveis até se tornar dependente de heroina, se prostituindo para manter o vício.
Toda a história de Christiane, um fiel retrato da entorpecida Berlim do final da década de 70, resultou no best-seller Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo (no Brasil, “Christiane F., treze anos, drogada, prostituída...”), biografia escrita pelos jornalistas Kai Hermann e Horst Rieck.
Lançado originalmente em 1978, o livro ganhou uma versão para o cinema em 1981.A jovem Christiane ganhou fama mundial e virou ícone de sua geração.
Aposentou-se, vivendo apenas com os royalites das obras sobre sua infeliz infância.
A partir daí, pouco se ouviu falar dela. Christiane cresceu longe dos holofotes. Tentou ser cantora, chegando a gravar um disco de canções punk. Sem sucesso. Também tentou ser atriz, atuando num filme ‘punk-alemão’ chamado Decoder. Chegou até a ser vendedora de livros, mas sempre fracassara.
Morou em Nova York e em outras 14 cidades ao longo das décadas. Mas os cheques com sua parte do lucro pelas obras passaram a vir cada vez menores. Atualmente vivia com o fliho de nove anos e dois tios num modesto apartamento em Berlim. Até perder a guarda da criança.
Durante o livro, Christiane relata a sociedade ao seu redor: jovens insatisfeitos com falta de opções para se entreter; perdidos enquanto seus pais lutam para não perderem seus empregos e seus sonhos, presos ao seu insuficiente salário. Nada muito diferente do cenário atual.
Mudaram, talvez, as drogas. A juventude atual também se vê perdida, e busca algo para preencher este vazio. No caso de Christiane, queria parecer mais velha e madura através das roupas e maquiagem; já os jovens de hoje, começam realçando aquelas considereadas suas ‘melhores’ características através da internet. Christiane perdeu-se nas mãos de traficantes de heroina. Surpreendentemente, a maioria dos jovens de hoje morre por uma droga lícita, vendida legalmente e com propagandas massissas na televisão.
A recaída de Christiane mostra as raízes culturais de um problema encontrado nas grandes metrópoles do mundo e ainda ignorado pela sociedade. Vivemos num sistema falido, criador de adultos frustrados, obrigados a deixar seus filhos sob os cuidados de aparelhos eletronicos. Novas tecnologias. Velho problema. Nenhuma solução.






*Fotos de Chistiane F. quando tinha 14 anos.

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

Gosto de ‘Mais’

Vindo do Mato Grosso, o Vanguart deixou sua marca no palco das bandas independentes.

Por Vinícius Lepore
Foto: Pedro Piva
Vídeos: Beatrice Morbin

A fumaça se espalhou pelo palco, sinalizando a entrada de uma das principais atrações apresentadas na Virada Cultural, no Pateo do Colégio, região central de São Paulo. A razão dos gritos veio de Cuiabá. Seu nome: Vanguart.
Na noite do sábado, 26, o quinteto de folk-rock influenciado por nomes como Beatles, Bob Dylan e Dorival Caymmi, subiu ao palco com a missão de fazer jus ao sucesso de publico e crítica conquistado em seus poucos anos de existência. Num show curto, de aproximadamente meia hora, o quinteto liderado por Hélio Flanders (voz, violão e gaita) esbanjou profissionalismo e qualidade técnica raramente vista até mesmo entre as ‘grandes’ bandas de rock do Brasil. Hélio conseguiu isso junto a David Dafre (guitarra e voz), Reginaldo Lincoln (baixo e voz), Luiz Lazarotto (teclados) e Douglas Godoy (bateria), demais integrantes do grupo. A rápida passagem pela Virada Cultural não poderia ficar sem o maior hit da banda, “Semáforo” - cantada aos berros por alguns fãs espremidos na grade – além de outras canções de seu disco de estréia. “Hey Yo Silver”, a mais pesada, tem um marcante riff de violão, tocado com uma ferocidade geralmente vista em guitarras. Antes de apresentarem “Los Chicos de Ayer”, com versos em inglês e espanhol, Hélio declara ao publico: “Nós somos de Cuiabá. É muito longe daqui. Essa musica fala disso”. Infelizmente, a imensa parede de amplificadores não se mostrou tão potente quanto parecia, fazendo o violão de Hélio soar baixo demais em alguns momentos, deixando a qualidade do áudio a desejar. Isso não tirou a animação da platéia ou dos cuiabanos; finalizado o show, o Vanguart terminou a noite tão amado como em sua terra natal.




*Material originalmente produzido para o Radar Cultura.

Danças & Mudanças

Sem querer ser chato, acho que era previsível o atraso nas atualizações deste blog. Por quê? Porque eu sempre atraso. Devo chegar ao meu trabalho pontualmente as 6 da manhã. Não consigo. Devo chegar às 13 horas na faculdade. Apareça por lá esse horário e ficará pelo menos meia hora vendo o tempo e os estudantes passarem. É sempre assim.
A razão destes atrasos vem deste meu ‘jeito de ser’ que me acompanha desde o meu nascimento: sou uma pessoa que, nas palavras de minha mãe, tenta ‘abraçar o mundo’. Sendo mais direto, tudo que eu faço somado não cabe em um dia com apenas 24 horas – isso porque já tirei da agenda coisas desnecessárias como almoçar.
Fiquei pensando nas ultimas semanas como fazer esse blog ser algo legal. Atual. Diferente. Tive muitas idéias. Algumas levarei adiante, outras vou descartar, mas tudo é mutável demais porque não consigo não pensar.

Participei da Virada Cultural como correspondente do Radar Cultura. Sem credencial (sou apenas um estagiário...) consegui exatamente o que queria – talvez mais – simplesmente tentando. Entrevistei a banda Vanguart, Rodrigo Amarante e Thalma de Freitas da Orquestra Imperial, entre muitos outros menos conhecidos e não menos importantes.
Depois da correria toda, a sensação de ter matérias publicadas tanto na Radio Cultura FM, quanto no site, somados a possibilidade de parte de esse material ser utilizado no programa Radar foi diferente do que eu esperava; estou feliz por tudo que fiz, mas mais feliz pela forma que fiz.

Espero que daqui pra frente às coisas caminhem de um jeito diferente e que isso sempre mude; pra melhor ou pra pior, mas mude. Senão este blog perderá sua essência, que é a de fazer as pessoas pensarem e verem o mundo de outra forma através das experiências que me mudaram. Pequenas mudanças podem se tornar grandes com o passar do tempo.